Por Danila Maria Bernardi
Sócia-Diretora – BPO
Athros Auditoria e Consultoria
Há meses que as empresas se depararam com os novos conceitos tributários e buscam entender como será este novo cenário tributário a partir de 2027. Todavia, como os especialistas já veem alertando, a reforma tributária não é apenas sobre tributos. Envolvem estratégia que engloba a empresa como um todo. Nada será como antes.
Dentre o envolvimento necessário, a área financeira é o ponto em que decisões tributárias, comerciais e operacionais se convertem em entradas e saídas de recursos.
O financeiro contribui, em primeiro lugar, ao projetar os impactos da transição sobre o fluxo de caixa. A convivência temporária entre regras antigas e novas requer cenários que considerem diferentes momentos de faturamento, pagamento, apropriação de créditos e eventual ressarcimento. Essas projeções permitem antecipar necessidades de caixa e apoiar decisões sobre compras, estoques, investimentos e negociação de prazos.
Outra contribuição está na formação de preços. A empresa precisará avaliar a carga incidente sobre suas operações, os créditos vinculados às aquisições e os efeitos sobre clientes e fornecedores. Essa análise deve combinar conhecimento tributário com dados financeiros confiáveis, evitando tanto o repasse automático de percentuais quanto a absorção de custos sem avaliação de margem.
O departamento também tem papel relevante na revisão de contratos juntamente com a área comercial. Cláusulas de preço, reajuste, prazo de pagamento e repasse de encargos podem precisar de análise à luz do novo modelo. O objetivo não é promover alterações indiscriminadas, mas identificar contratos em que a mudança tributária possa produzir desequilíbrios econômicos ou dúvidas operacionais.
Por fim, a área financeira conecta informações de contas a pagar, contas a receber, tesouraria e controladoria aos registros fiscais e contábeis. Quanto maior a consistência entre documento fiscal, pedido, recebimento, pagamento e escrituração, maior será a capacidade de prevenir divergências e sustentar a tomada de decisão.
Diante de tal cenário, discorremos sobre alguns pontos focais importantes na transição
O primeiro passo é estabelecer uma base de comparação. A empresa pode simular os efeitos do modelo atual e do novo sistema por produto, serviço, unidade de negócio ou perfil de cliente. O exercício deve considerar receitas, custos, créditos estimados, prazos financeiros e reflexos no capital de giro. Mais do que buscar uma previsão definitiva, o objetivo é identificar variáveis sensíveis e preparar respostas para diferentes cenários.
A implantação do IBS e da CBS pode alterar o intervalo entre o pagamento realizado pela empresa e a efetiva utilização de créditos, conforme os requisitos aplicáveis. Por isso, o fluxo de caixa projetado deve incorporar hipóteses tributárias e ser atualizado com base nos dados reais da operação. Indicadores como prazo médio de recebimento, prazo médio de pagamento, necessidade de capital de giro e saldo de créditos merecem acompanhamento periódico.
As simulações tributárias devem ser convertidas em informações gerenciais. O financeiro pode comparar margens antes e depois da mudança, identificar operações mais expostas e apoiar as áreas comercial e jurídica na revisão de propostas e contratos. A análise deve considerar não apenas a alíquota nominal, mas também a possibilidade de créditos, os prazos envolvidos e as características de cada cadeia.
A Reforma Tributária do consumo reforça a importância de uma gestão integrada. Contabilidade e fiscal interpretam regras e apuram efeitos; tecnologia adapta sistemas; jurídico examina contratos; comercial revê estratégias; e o departamento financeiro transforma essas informações em planejamento, controles e decisões.
Quanto mais cedo a empresa organizar seus dados, revisar seus processos e acompanhar os impactos sobre o caixa, menor será o risco de tratar a transição apenas de forma reativa. Nesse percurso, uma operação financeira interna bem estruturada ou a terceirização especializada podem cumprir o mesmo propósito: assegurar informação confiável para que a administração decida com segurança.
Mais do que uma obrigação de conformidade, a adaptação pode ser uma oportunidade para fortalecer controles, melhorar a comunicação entre áreas e elevar a qualidade da gestão. O protagonismo do financeiro será, portanto, um dos elementos capazes de transformar uma mudança tributária complexa em um processo empresarial planejado







