Douglas Rogério Campanini é Sócio-diretor da área de
Consultoria Tributos Indiretos da Athros SFAI Auditoria e Consultoria
Janeiro de 2026. Como todo ano que se inicia, as pessoas acabam firmando promessas, fixando objetivos, bem como se enchem de esperanças de que seja um ano que nossas escolhas sejam acertadas.
Pois bem. Para os profissionais das empresas vinculados ao projeto da Reforma Tributária este ano de 2026 já começou “faz tempo”! Adaptações de sistemas, conversas com fornecedores e clientes, simulação dos impactos, avaliação de novos investimentos, adaptações de contratos, dentre outros pontos, são alguns dos itens que estão em pauta nas organizações.
Já está claro para a sua empresa que a Reforma Tributária não impacta, apenas, o setor tributário? Aqui vão algumas informações que podem certificar esta afirmação:
- Jurídico – se os fornecedores não liquidarem a CBS e IBS, sua empresa apenas aproveitará os créditos quando tais tributos forem pagos. Empresas estão avaliando incluir cláusulas nos contratos atuais prevendo multas em caso de o fornecedor não liquidar os tributos no prazo;
- Compras – Partindo da premissa de que todos os fornecimentos gerarão crédito de CBS e IBS (exceto os de uso pessoal) como serão as análises se os fornecedores se enquadrarem no Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real? Atualmente, uma empresa do regime não cumulativo do PIS e COFINS pode se creditar de 9,25% sobre as operações geradoras de crédito. Se o fornecedor está no Lucro Presumido, ele só recolhe 3,65% de PIS e COFINS, mas a empresa adquirente se apropria de 9,25%. Com a reprecificação, poderá haver aumento de custo para a empresa compradora, pois o fornecedor excluirá 3,65% do seu preço, mas o comprador já exclui 9,25%. Isto está sendo mapeado?
- Logística – Com a extinção dos incentivos fiscais de ICMS, empresas estão reavaliando a quantidade de unidades que possuem, bem como o reposicionamento geográfico dos negócios. Se sua empresa possui incentivos fiscais, como ficará a distribuição dos produtos caso decida se reposicionar geograficamente?
- Vendas – Algumas empresas possuem como clientes principais empresas de pequeno e médio portes, pois os produtos fabricados são comercializados de forma pulverizada (por exemplo – materiais de construção, bebidas, perfumes, artigos em geral). Se a venda do seu produto para o consumidor final foi feita por uma empresa do Simples Nacional, e essa empresa não fizer os estudos necessários para identificar se será mais vantajoso continuar no Simples Nacional para todos os tributos ou apurar o CBS e IBS separadamente, como será o impacto para o cliente final do seu produto? Se a empresa do Simples Nacional aumentar o preço e o cliente não decidir efetuar a compra, a venda não ocorrerá e a sua empresa também não efetuará a venda para a empresa do Simples Nacional. Como se antecipar a este problema?
- TI – Como está a preparação da sua empresa e dos fornecedores para a emissão dos documentos fiscais com as novas “tag´s”? Estão sendo mapeadas todas as operações realizadas pela empresa para identificar quais tag´s precisam ser preenchidas para cada situação?
- RH – para fins de crédito de CBS e IBS, algumas situações, como, por exemplo, plano de saíde e vale-refeição deverão se encontrar previstas em acordos e convenções coletivas. Já existe previsão nessas normas para avaliar o impacto dos créditos?
- Custos – Atualmente, uma série de gastos / despesas realizadas pelas empresas não permite recuperações de créditos de ICMS, ISS, PIS e COFINS, mas passará a permitir créditos de CBS e IBS. Como isso poderá impactar a formação de custos? Esses valores são representativos?
- Precificação – Como será o impacto dos novos tributos no preço dos produtos e serviços? Sua empresa possui incentivos fiscais? Tratamentos específicos? Regimes Especiais?
Em treinamentos / reuniões que temos realizado com nossos clientes e parceiros, temos constatado que as empresas de pequeno e médio portes ainda não possuem uma visão panorâmica, clara e objetiva dessas questões, e é comum terem um “choque” de realidade.
A realização de palestras internas de forma a expor os principais desafios a serem enfrentados é uma excelente forma de demonstrar quão árduo serão os próximos anos para que as empresas possam se adaptar a essa nova modelagem.
Possui dúvidas de como atuar com a Reforma Tributária na sua empresa? Conte com o apoio da Athros.